Habilidade

Leitura de orçamento

Lê orçamento, proposta ou estimativa e estabelece o que está incluído, o que ficou de fora, sobre que base de preço foi montado e em que data ele vive — sem conferir conta.

Depois de instalada, a habilidade é carregada sozinha quando a conversa combina. Você também pode chamá-la pelo nome.

Para que serve

O que faz

Lê um documento precificado e extrai quatro coisas: o que está dentro, o que está fora, sobre que base de preço ele foi montado e em que data ele vive. Quando há dois documentos, monta o quadro de bases e aponta as linhas divergentes antes de mencionar qualquer valor total. Fecha com a lista de perguntas a fazer a quem produziu o documento.

O que não faz

  • Não confere aritmética. Não verifica se o quantitativo está correto nem se o preço unitário é razoável. Isso é trabalho de orçamentista, e continua sendo.
  • Não fornece preço, índice, percentual de BDI, percentual de encargos nem composição de custo. Esses dados são insumo que você informa ou que o próprio documento declara.
  • Não concilia o orçamento com o projeto. Não diz se o que foi orçado corresponde ao que foi desenhado.
  • Não julga habilitação, aceitabilidade de preço ou adjudicação em processo licitatório. Lê a planilha como documento precificado e para aí.
  • Produz insumo para decisão. Quem assina o orçamento, o parecer ou o projeto assume responsabilidade técnica registrada, e a decisão é dessa pessoa.

O que você precisa antes de começar

  • O documento completo: planilha, memorial de cálculo, exclusões, ressalvas, composição de BDI e a carta ou mensagem que o acompanhou. Planilha cortada no total não serve.
  • O documento contra o qual se quer comparar, quando houver comparação.
  • Qual é a obra e a partir de que projeto ela foi orçada.

Faltando o primeiro item, diga o que falta e pare. Ler o total sem as ressalvas produz conclusão que se desfaz assim que as ressalvas aparecem.

Ficha técnica

Entradas
PDF · Planilha · Texto colado · Imagem de prancha
Saída
Quadro de bases comparadas, lista do que está fora do preço e perguntas a fazer a quem produziu o documento.
Para quem é
Arquiteto · Engenheiro · Construtora · Gerenciadora · Incorporadora · Orçamentista
Etapa do empreendimento
Viabilidade · Planejamento e Custos
Âmbito
Nacional
Camada normativa
Não se aplica
Normas citadas

Teste em 30 segundos

Cole duas propostas de construtoras diferentes para a mesma obra e peça a comparação. A resposta deve tratar base de preço, BDI, encargos e data-base antes de citar qualquer total.

O conteúdo


name: leitura-de-orcamento description: "Lê qualquer documento com preço dentro (orçamento analítico, estimativa paramétrica, proposta de construtora, planilha de edital ou o número que o cliente trouxe) e estabelece o que ele cobre, o que exclui, sobre que base de preço foi montado e em que data ele vive, sem conferir uma conta sequer. Use SEMPRE que o usuário pedir para ler, analisar, criticar, questionar ou comparar orçamento, proposta comercial, planilha orçamentária ou estimativa de obra; quando perguntar se dois números são comparáveis, o que ficou de fora, por que uma construtora cobrou o dobro da outra, o que tem de BDI ali, se os encargos são desonerados ou qual a data-base; quando disser 'chegou o orçamento', 'lê esse orçamento pra mim', 'essa proposta tá cara', 'o cliente mandou um número', 'o que esse preço inclui', 'conferir o que ficou de fora', 'comparar as propostas'; ou quando entregar PDF, planilha, imagem ou texto de documento precificado pedindo leitura, parecer ou comparação."

Leitura de orçamento

Dois documentos de preço da mesma obra podem divergir muito sem que nenhum dos dois esteja errado. Um traz BDI e o outro é custo direto. Um adota encargos sociais desonerados e o outro não. As data-bases estão a vários meses de distância, um foi orçado sobre projeto legal e o outro sobre executivo, e o que uma construtora exclui a outra inclui sem dizer.

Pedir a análise direto ao modelo produz comentário sobre os totais, que é justamente a parte que não pode ser comparada antes de as bases estarem igualadas. Esta habilidade inverte a ordem: base primeiro, total por último. É trabalho que o arquiteto ou o engenheiro faz sem ser orçamentista, porque não depende de conferir cálculo nenhum.

O que esta habilidade faz

Lê um documento precificado e extrai quatro coisas: o que está dentro, o que está fora, sobre que base de preço ele foi montado e em que data ele vive. Quando há dois documentos, monta o quadro de bases e aponta as linhas divergentes antes de mencionar qualquer valor total. Fecha com a lista de perguntas a fazer a quem produziu o documento.

O que ela não faz

  • Não confere aritmética. Não verifica se o quantitativo está correto nem se o preço unitário é razoável. Isso é trabalho de orçamentista, e continua sendo.
  • Não fornece preço, índice, percentual de BDI, percentual de encargos nem composição de custo. Esses dados são insumo que você informa ou que o próprio documento declara.
  • Não concilia o orçamento com o projeto. Não diz se o que foi orçado corresponde ao que foi desenhado.
  • Não julga habilitação, aceitabilidade de preço ou adjudicação em processo licitatório. Lê a planilha como documento precificado e para aí.
  • Produz insumo para decisão. Quem assina o orçamento, o parecer ou o projeto assume responsabilidade técnica registrada, e a decisão é dessa pessoa.

O que você precisa ter antes de começar

  • O documento completo: planilha, memorial de cálculo, exclusões, ressalvas, composição de BDI e a carta ou mensagem que o acompanhou. Planilha cortada no total não serve.
  • O documento contra o qual se quer comparar, quando houver comparação.
  • Qual é a obra e a partir de que projeto ela foi orçada.

Faltando o primeiro item, diga o que falta e pare. Ler o total sem as ressalvas produz conclusão que se desfaz assim que as ressalvas aparecem.

Procedimento

1. Identificar o documento e quem o produziu

Leia no documento ou pergunte:

  1. O que é: estimativa paramétrica por área, orçamento analítico com composições, proposta comercial de construtora, planilha orçamentária de edital, ou um número que o cliente trouxe de outra origem?
  2. Quem produziu, e essa pessoa está vendendo alguma coisa?
  3. A partir de que projeto foi orçado: estudo preliminar, projeto legal, projeto básico ou projeto executivo?
  4. Contra o que está sendo comparado?

Uma estimativa por custo unitário de área e um orçamento analítico não são o mesmo documento e são colocados lado a lado o tempo todo. Registre a diferença aqui, antes de qualquer outra coisa.

2. Ler as exclusões e as ressalvas antes do total

Deliberadamente, e primeiro. Monte:

Fora do preço Quem passa a carregar Está no outro documento?

Procure também as exclusões que não aparecem na lista de exclusões, porque foram escritas como premissa, nota de rodapé ou condição comercial. Alvos frequentes: projetos e taxas, sondagem, movimento de terra e contenção, fundação executada por terceiro, instalações de entrada e ligações definitivas de concessionária, equipamentos de processo, mobiliário fixo, paisagismo, canteiro, ligações provisórias, mobilização e desmobilização, guindaste, ensaios e comissionamento, limpeza final, e demanda de área externa ao lote.

Leia com a mesma atenção a linguagem que transfere risco: "a confirmar em campo", "salvo melhor juízo", "sujeito a verificação das condições locais", "quantidades estimadas, a medir", "não contempla eventuais interferências". Cada uma dessas expressões move um risco de quem vende para quem compra sem alterar o total.

Item excluído por um documento e incluído pelo outro torna os dois incomparáveis. Na maioria dos casos isso já é a resposta inteira.

3. Estabelecer a base de preço

Este é o passo que decide a comparação no Brasil, e o que mais falta nos documentos. Estabeleça:

  • BDI. O preço é custo direto ou preço de venda? Se há BDI, ele está declarado? Está decomposto em administração central, risco, seguro e garantia, despesas financeiras, lucro e tributos sobre o faturamento? Incide sobre o quê, e há BDI diferenciado para equipamentos ou materiais de peso relevante?
  • Encargos sociais. Qual percentual, e sob qual regime de contribuição previdenciária. O mesmo escopo, o mesmo quantitativo e a mesma produtividade produzem totais diferentes conforme o regime adotado.
  • Referência de preço. Composição própria, tabela nacional de referência, tabela estadual ou municipal, ou cotação de mercado. E qual a data-base dessa referência.
  • Tributos. Regime tributário do proponente e quais tributos estão dentro do preço.
  • Materiais. Posto obra ou a retirar. Frete, carga, descarga e perdas inclusos ou não.
  • Administração local. Dentro do BDI ou como item da planilha. Contada duas vezes com frequência.
  • Mão de obra. Própria ou subempreitada, e o que a subempreitada inclui.

Instrumentos que regem o assunto, para saber o que se pode exigir de quem produziu o documento. Nenhum deles traz valor aqui, apenas define onde a exigência está escrita, e a vigência de cada um precisa ser confirmada antes de ser invocada:

  • Custo unitário por área e a forma de calculá-lo para edificações: NBR 12721.
  • Orçamento de obra contratada pelo poder público, incluindo a exigência de planilha detalhada, de composição de BDI e de demonstração de encargos: lei de licitações e contratos administrativos vigente e sua regulamentação.
  • Faixas referenciais de BDI e de encargos usadas em obra pública: decisões dos órgãos de controle. São variáveis por tipo de obra e por revisão. Peça o valor ao usuário ou leia no documento, nunca afirme de memória.

Se o documento não declara BDI, encargos ou data-base, não deduza nada pela ordem de grandeza do total. Registre "não declarado", coloque a pergunta na lista ao autor e siga. Um total sem base declarada não entra em quadro de comparação nenhum.

4. Levantar as premissas

Documentos precificados assumem coisas e as escrevem em prosa que ninguém lê:

  • Prazo de execução previsto e o que acontece com o preço se ele mudar.
  • Estágio do projeto sobre o qual foi orçado, e se o projeto andou desde então.
  • Origem dos quantitativos: medidos em projeto, levantados em campo ou estimados por índice.
  • O que é fornecido pelo contratante.
  • Acesso, horário de trabalho, sequência executiva e interferência com operação existente.
  • Se há reserva de contingência explícita, para que ela serve, e se o risco está diluído no BDI em vez de aparecer em linha própria.

Na prática brasileira a contingência raramente é uma linha. Não pergunte se ela existe. Pergunte onde o risco está alocado e quem o carrega.

5. Fixar as datas e o reajuste

Três marcos, quase nunca coincidentes:

  • Data de emissão do documento.
  • Data-base do preço: mês da tabela de referência ou da cotação.
  • Validade da proposta.

Depois: há reajuste previsto? Por qual índice, com que periodicidade e a partir de qual data-base? Se não há reajuste, quem carrega a variação de custo até o fim da obra?

Um documento com data-base recente comparado a outro com data-base antiga é uma discussão de reajuste, não uma discussão de projeto.

6. Montar o quadro de comparabilidade

Só quando houver dois ou mais documentos.

Documento A Documento B Mesma base?
Escopo
Exclusões
Estágio do projeto
Origem dos quantitativos
BDI
Encargos sociais e regime
Referência de preço
Data-base
Reajuste e índice
Tributos
Alocação de risco

Relate as linhas divergentes antes de relatar qualquer diferença de total. Diferença de total entre documentos de bases distintas não é informação.

7. Resultado

Relate nesta ordem, e a ordem não é detalhe: o que vier primeiro é onde a pessoa vai agir.

  1. Que documento é e quem produziu.
  2. O que está fora, e quem passa a carregar cada item.
  3. A base de preço: o que foi declarado e o que não foi.
  4. As premissas, com destaque para as que já mudaram.
  5. As datas e o regime de reajuste.
  6. Havendo comparação, as linhas divergentes do quadro. Só depois os totais.
  7. Lista curta e objetiva de perguntas a fazer a quem produziu o documento.

Encerre registrando que nenhuma conta foi conferida e que nenhum preço foi fornecido.

8. Salvar, se pedido

Pergunte se a leitura deve ser gravada em arquivo e onde.

Regras de execução

  • Ler exclusões e ressalvas antes do total. Toda vez, sem exceção.
  • Nunca conferir aritmética e nunca fornecer preço, índice ou percentual.
  • Nunca deduzir BDI, encargos ou data-base a partir do total. Escrever "não declarado" e perguntar.
  • Estabelecer as três datas antes de comentar valor.
  • Em comparação, relatar as divergências de base antes dos totais.
  • Nenhum dado normativo, tributário ou de referência de preço é afirmado sem instrumento, item e data de verificação. Faltando qualquer um dos três, escrever "não verificado" e parar, em vez de estimar.
  • Busca na internet serve para descobrir qual instrumento rege o assunto e se houve revisão. Não serve para extrair valor, percentual ou índice. Percentuais de BDI e de encargos, índices de reajuste, valores de tabela de referência e custo unitário por área variam por obra, por regime e por mês: são sempre perguntados ao usuário ou lidos no próprio documento, nunca assumidos.

Erros que esta habilidade evita

  • Abrir pelo total.
  • Comparar dois documentos sem verificar se cobrem o mesmo escopo.
  • Tratar a lista de exclusões como texto padrão de contrato.
  • Somar um custo direto com um preço de venda e concluir que um deles está caro.
  • Ignorar que os dois documentos adotam regimes diferentes de encargos.
  • Não perceber que as data-bases estão distantes e atribuir a diferença ao projeto.
  • Contar administração local duas vezes, dentro do BDI e na planilha.
  • Ler proposta de quem quer o serviço como se fosse estimativa independente.
  • Aceitar percentual de BDI sem a composição que o sustenta.
  • Comparar estimativa por área com orçamento analítico como se fossem equivalentes.
  • Conferir a conta.

Caso-teste

Pegue dois documentos reais do mesmo galpão: a proposta de uma construtora e o orçamento feito internamente sobre tabela de referência. Entregue os dois e peça a comparação.

A habilidade está funcionando se, antes de citar qualquer total, ela identificar que os dois adotam regimes diferentes de encargos sociais, apontar que as data-bases não coincidem, registrar "não declarado" para o que a proposta não decompõe, e perguntar pela composição do BDI sem que você tenha mencionado BDI em momento algum. Se o primeiro parágrafo da resposta falar em valores, ela não está funcionando.

O que vai para o seu assistente

  • leitura-de-orcamento/SKILL.md12,4 kB
  • 1 arquivo5,2 kB

Categoria: Orçamento e ContratosTags: orçamento, BDI, encargos sociais, proposta, planilha, data-baseVersão: 1.0Origem: OriginalAtualizado em 13/09/20261 downloads

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